Alguns helenos dizem que Atena teve um pai chamado Palas, um
gigante alado libidinoso que mais tarde tentou violá-la, cujo nome ela adicionou
ao seu, depois de arrancar-lhe a pele (para fazer a égide) e as asas (para
colocá-las em seus próprios ombros). Isso se a égide não foi feita da pele da
górgona Medusa, que, depois de decapitada por Perseu, foi esfolada por Atena.
Há quem diga que seu pai foi Itono, rei de Íton, em
Ftiótide, cuja filha Iodâmia ela matara acidentalmente, ao deixá-la ver a
cabeça da górgona, transformando-a, assim, num bloco de pedra ao adentrar seu
santuário inadvertidamente à noite.
Contam ainda que Poseidon era seu pai, mas que ela o teria
renegado, pedindo a Zeus que a adotasse, o que ele fez com prazer.
Mas os próprios sacerdotes de Atena contam a seguinte
história sobre o seu nascimento: Zeus desejava com ardor a titânide Métis, que,
para escapar de seu assédio, se transfigurou em variadas formas, até que,
finalmente, ele a agarrou e a engravidou. Um oráculo da Mãe Terra declarou,
então, que o nascituro seria uma menina e que, se Métis engravidasse mais uma
vez, daria à luz um filho fadado a depor Zeus, assim como Zeus depusera Cronos
e como este havia deposto Urano. Portanto, após seduzir Métis, atraindo-a para
o seu leito com palavras melífluas, Zeus, de repente, abriu a boca e a engoliu,
e esse foi o fim de Métis, embora ele, depois, alegasse que ela lhe dava
conselhos de dentro do seu ventre. No devido tempo, Zeus foi tomado por uma
intensa dor de cabeça enquanto caminhava às margens do lago Tritão, tão intensa
que seu crânio parecia prestes a explodir. Ele berrou furiosamente, até que seu
grito ressoou por todo o firmamento. Logo veio Hermes, que adivinhou
imediatamente a causa do desconforto de Zeus e persuadiu Hefesto — ou Prometeu,
segundo outra versão — a trazer sua cunha e seu malho e fazer uma brecha no
crânio de Zeus, através da qual saiu Atena, toda armada, com um ressonante
grito de guerra.
FONTE: Livro de Robert Graves - Os
Mitos Gregos (Edição Completa e Definitiva)

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